Autores: Patrícia Pereira¹, Ana Patrícia Almeida¹, Bernardino Pacheco¹, Cristina Reis¹, Ricardo Fidalgo¹, Diogo Amorim¹, Tatiana Pinho¹, Kelli Oliveira¹, Antonio Leon¹, Alda Nobre¹, Marisa Santos¹, Maria Leonor Gonçalves¹, Nuno Guerreiro¹, Fábio Teixeira¹, Marinela Figueiredo¹
Afiliações: ¹ABS Health Level Atlântico Business School, Vila Nova de Gaia, Portugal.
A força muscular é essencial para a funcionalidade, mobilidade e desempenho em diversas atividades físicas, sendo frequentemente desenvolvida através de treino de resistência. Contudo, exercícios intensos, especialmente com contrações excêntricas, podem provocar Dor Muscular de Início Tardio (DMT), caracterizada por dor, rigidez, inchaço e diminuição da força muscular, com sintomas que surgem algumas horas após o exercício, atingem o pico entre 2 e 3 dias e normalmente desaparecem ao fim de 5 a 7 dias (1,2).
Embora não seja uma condição grave, a DMT pode afetar o desempenho atlético e as atividades do quotidiano, aumentando o risco de lesões ao retomar ou intensificar o treino. Estratégias convencionais, como crioterapia, massagem, vibração, alongamentos ou analgésicos, proporcionam apenas alívio temporário e podem apresentar riscos quando usadas em excesso (1).
A acupuntura, juntamente com a ventosaterapia e a massagem Tui Na, são técnicas de tratamento externo que fazem parte integrante da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Estas abordagens complementam-se com técnicas internas, como a dietoterapia e a fitoterapia, formando um sistema terapêutico completo que visa restabelecer o equilíbrio funcional do organismo (3).
As terapêuticas complementares não farmacológicas, particularmente a acupuntura, têm vindo a ganhar destaque devido à sua segurança e potencial eficácia no alívio da dor e na promoção da recuperação muscular. Na MTC, a DMT é interpretada como estagnação de energia vital e fluxo sanguíneo, enquanto as lesões musculares refletem além de bloqueio e desgaste dos tecidos e da fáscia, desequilíbrios energéticos associados ao meridiano do fígado que é funcionalmente responsável pela nutrição e hidratação dos tecidosmusculares (3). A acupuntura visa restabelecer a circulação energética e sanguínea, modulando a dor, promovendo a regeneração muscular e favorecendo a função fisiológica local e sistémica (4–6). Ensaios clínicos indicam que a acupuntura pode reduzir a dor e aumentar a ativação muscular, embora os efeitossobre a força sejam inconsistentes (1,4–6). Esta revisão narrativa pretende analisar criticamente a evidência sobre a aplicação da acupuntura na DMT, destacando mecanismos fisiológicos, efeitos clínicos e recomendações para protocolos clínicos.
Foi realizada uma revisão da literatura com foco nos efeitos da acupuntura e da eletroacupuntura sobre as DMT em adultos saudáveis submetidos a exercícios excêntricos. A seleção considerou seis estudos centrais, incluindo ensaios clínicos randomizados (ERC) (n=4), revisões sistemáticas e meta-análises (n=2) publicados entre 2016 e 2025, em bases de dados da PubMed, Scopus e Web of Science. Optou-se por este intervalo temporal alargado devido à escassez de estudos que abordem especificamente a aplicação de acupuntura após a prática de exercício físico intensivo.
Foram incluídos estudos que avaliaram a eficácia da acupuntura convencional ou da eletroacupuntura na redução da dor muscular, recuperação da força ou função motora após exercício excêntrico. Foram excluídos estudos em populações com condições musculoesqueléticas preexistentes, sem grupos de controlo ou que não apresentassem medidas objetivas ou subjetivas de dor muscular.
As revisões de Chang et al. (1) e Huang et al. (2) sugerem que a acupuntura pode reduzir a DMT, embora os efeitos sejam geralmente modestos e variáveis entre estudos, dependendo de fatores como pontos de aplicação, protocolo, duração das sessões e características dos participantes.
Nos ensaios clínicos individuais, Fleckenstein et al. (3) não observaram efeitos significativos da acupuntura convencional sobre dor ou função muscular. Em contraste, Antonassi et al. (4) relataram
redução imediata da dor e aumento da ativação muscular, embora sem alterações significativas na força máxima.
Komine et al. (5) mostraram que a electroacupuntura ipsilateral no músculo afetado reduziu significativamente a dor e o stress oxidativo após exercício excêntrico em homens jovens não treinados, sem alterações nos marcadores de lesão muscular.
Cardoso et al. (6) demonstraram que a acupuntura convencional, usando a técnica do “Leopard Spot” nos pontos ST34, ST36 e LR3, promoveu redução significativa da dor muscular medida por VAS e limiar de dor à pressão (PPT) 24 horas após exercício excêntrico. A acupuntura verdadeira apresentou maior alívio da dor em comparação com a acupuntura simulada, especialmente nas fases iniciais do pós-exercício.
De forma geral, os estudos sugerem que a acupuntura pode reduzir a dor associada à DMT e melhorar a ativação muscular, enquanto os efeitos sobre a força máxima são limitados. Protocolos mais intensivos ou com estímulo elétrico parecem apresentar efeitos mais consistentes. A heterogeneidade metodológica, contudo, impede generalizações definitivas e evidencia a necessidade de estudos maiores e padronizados.
Tabela 1- Resumo dos Estudos sobre Acupuntura no Alívio da DMT

Os achados desta revisão sugerem que a acupuntura pode oferecer alívio parcial da DMT e melhorar a ativação muscular após exercício intenso. As revisões de Chang et al. (1) e Huang et al. (2) indicam que, embora os efeitos sejam modestos, há evidência de redução da dor e de melhora funcional em curto prazo, especialmente quando a técnica é aplicada de forma consistente e adequada.
Ensaios clínicos individuais mostram resultados heterogéneos. Fleckenstein et al. (3) não observaram benefícios significativos, possivelmente devido a limitações metodológicas ou protocolos de acupuntura pouco intensivos. Por outro lado, Antonassi et al. (4) relataram redução imediata da dor e aumento da ativação muscular, embora sem efeitos sustentados na força máxima, sugerindo que a acupuntura pode atuar mais eficazmente no alívio sensorial do que na recuperação da capacidade contrátil.
A eletroacupuntura parece apresentar maior consistência nos efeitos analgésicos. Komine et al. (5) demonstraram redução da dor e do stress oxidativo com estimulação ipsilateral, destacando que a aplicação direta no músculo afetado pode ser um fator determinante para o efeito terapêutico.
Além disso, Cardoso et al. (6) mostraram que a técnica do “Leopard Spot” promoveu alívio significativo da dor e aumento do limiar de dor à pressão, reforçando a importância de protocolos bem definidos, múltiplos pontos de inserção e aplicação adequada da acupuntura para potencializar os efeitos terapêuticos.
Apesar de resultados promissores, a heterogeneidade entre estudos — em termos de pontos selecionados, intensidade, duração, tipo de acupuntura e população estudada — limita a generalização dos achados. Ensaios futuros devem padronizar protocolos, aumentar o tamanho amostral e incluir desfechos objetivos, como medições de força e biomarcadores inflamatórios, para melhor avaliar os efeitos da acupuntura na DMT.
A acupuntura é uma terapêutica segura, de baixo custo e potencialmente eficaz na redução da DMT e no apoio à recuperação muscular após exercícios de endurance. Os efeitos analgésicos são consistentes nas primeiras 72 horas, enquanto a preservação da força excêntrica é mais evidente com eletroacupuntura. A evidência existente reforça a necessidade de estudos controlados em populações específicas para consolidar protocolos clínicos robustos e orientados para a prática desportiva de endurance.
Não esquecer na prática clínica, que uma padronização rígida dos protocolos de tratamento — no que diz respeito à duração, técnica, número e tipo de pontos utilizados — não é desejável, uma vez que cada indivíduo apresenta um desequilíbrio homeostático e uma compensação energética próprios, mesmo quando exposto ao mesmo estímulo. O diagnóstico e seleção de tratamento individualizado e personalizado devem ser sempre privilegiados face à utilização de protocolos genéricos. (6)
Autores: Patrícia Pereira¹, Ana Patrícia Almeida¹, Alda Nobre¹, Antonio Leon¹, Marisa Santos¹, Nuno Cerqueira¹, Bernardino Pacheco¹, Diogo Amorim¹, Fábio Teixeira¹, Tatiana Pinho¹, Nuno Guerreiro¹, Kelli Oliveira¹, Cristina Reis¹
Afiliações: ¹ABS Health Level Atlântico Business School, Vila Nova de Gaia, Portugal.
O exercício físico intenso exige elevados níveis de resistência, estabilidade biomecânica e capacidade de recuperação eficiente. Lesões por sobrecarga, como tendinopatias do tendão de Aquiles, patelar e da fáscia plantar, são extremamente comuns, afetando cerca de 40–50% dos corredores recreativos anualmente (1,2). Estas lesões caracterizam-se por desorganização das fibras de colagénio, neovascularização e aumento da sensibilidade local, comprometendo a função muscular e a elasticidade articular.
No âmbito das intervenções externas da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a moxabustão tem-se evidenciado como uma técnica de fácil aplicação, segura e potencialmente eficaz, podendo ser utilizada em contextos de intervenção rápida, como hospitais de campanha durante maratonas ou outros eventos desportivos (3,4). A moxabustão consiste na aplicação de calor gerado pela combustão das folhas de Artemisia vulgaris sobre pontos de acupunctura, podendo assumir diferentes modalidades:
O ponto ST36 (Zusanli), situado abaixo do joelho, tem demonstrado efeitos significativos na perfusão muscular, na modulação da inflamação e no aumento da tolerância ao esforço físico (5). Evidências recentes sugerem que a moxabustão e outras formas de estimulação térmica podem contribuir para a redução da dor, melhoria da rigidez musculoarticular, aceleração da recuperação pós-exercício e prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas recreativos e de alto rendimento (2–7).
Esta revisão narrativa analisou criticamente a literatura publicada entre 2013 e 2023 nas bases de dadosPubMed, Scopuse Web ofScience. Foram incluídos ensaios clínicos controlados, estudos experimentais e revisões sistemáticas que aplicassem moxabustãoisolada ou combinada com abordagens convencionais. Foram avaliados protocolos de moxabustãodireta, indireta, suspensa e moxa na agulha, assim como a estimulação do ponto E36. O período temporal foi alargado devido à escassez de estudos específicos em atletas submetidos a exercício intenso.
A análise dos estudos incluídos revelou evidências sobre a eficácia da moxabustão e de terapêuticas associadas na recuperação muscular, prevenção de lesões e alívio da fadiga. A revisão sistemática de Kakouris et al. (1) demonstrou que os locais mais frequentemente lesionados em corredores recreativos são o joelho, tornozelo e perna, sendo as tendinopatias do tendão de Aquiles, síndrome patelofemoral e fasciíte plantar as patologias mais prevalentes.
Os mecanismos de ação da moxabustão incluem efeitos térmicos locais e sistémicos, indução de proteínas de choque térmico (HSP70), modulação do stress oxidativo e melhoria da perfusão sanguínea, contribuindo para a redução da inflamação, alívio da dor e recuperação funcional (2). Ensaios clínicos controlados mostraram que a moxabustão suspensa aplicada em pontos específicos reduziu significativamente a dor associada à dor muscular de início tardio (DOMS), embora não tenha havido alterações significativas na força máxima ou na circunferência muscular (4).
O estudo de Zhang Y et al. (5) evidenciou que a moxabustão indireta aplicada nos pontos ST36 e CV4 aumentou o torque (força que gera rotação) máximo do joelho e a rigidez musculoarticular em atletas recreativos, tanto antes como apósindução de fadiga, sugerindo benefícios na resistência à fadiga e na prevenção de lesões. Revisões narrativas destacam que outras modalidades terapêuticas da MTC, incluindo acupuntura, ventosaterapia e massagem, podem complementar a moxabustão na recuperação musculoesquelética e na redução de sintomas relacionados com sobrecarga (6). Além disso, a moxabustão com agulha demonstrou efeitos anti-inflamatórios e analgésicos em condições musculoesqueléticas crónicas, embora a maior parte das evidências derive de estudos com amostras pequenas e populações específicas (7). De forma resumida, os estudos incluídos neste artigo e os diferentes tipos de moxabustão, incluindo moxa na agulha e estimulação do ponto E36, estão sintetizados na Tabela 1.
Em síntese, os dados sugerem que a moxabustão e a estimulação térmica apresentam potencial clínico relevante para reduzir dor, melhorar função muscular, acelerar a recuperação pós-exercício e contribuir para a prevenção de lesões. Contudo, destaca-se a necessidade de estudos com maior número de participantes, protocolos padronizados e acompanhamento de longo prazo para confirmar a eficácia, segurança e otimizar os parâmetros de aplicação (2–7).
Os achados indicam que a moxabustão, em todas as suas variantes, exerce efeitos fisiológicos significativos sobre músculos e tendões após exercício intenso. O aumento da perfusão local promovido pelo calor da moxabustão melhora o fluxo sanguíneo, oxigenação e remoção de resíduos metabólicos, contribuindo para a recuperação muscular (2,5).
A moxabustão suspensa reduziu a dor muscular tardia (DOMS) e preservou a função muscular (4), enquanto a moxabustão com agulha mostrou maior eficácia na modulação da inflamação e regeneração tecidual (7). A estimulação do ponto ST36 (Zusanli) aumenta a perfusão, reduz a inflamação e melhora a tolerância ao exercício (5).
Estas técnicas são seguras, económicas e práticas, podendo ser aplicadas durante atividades normais ou treino. Ensaios futuros devem utilizar amostras maiores, protocolos padronizados e desfechos quantitativos para validar e comparar os efeitos das diferentes modalidades de moxabustão (2–7).
A moxabustão apresenta benefícios claros na recuperação de tendinopatias e na melhoria da elasticidade muscular. As evidências demonstram que essas intervenções podem reduzir dor, rigidez e fadiga, além de promover perfusão tecidual adequada e regeneração muscular após exercício intenso (5,7).
Os efeitos fisiológicos observados — térmicos, vasculares e neurofisiológicos — contribuem para uma recuperação mais rápida e eficaz, mantendo ou melhorando a funcionalidade muscular e articular. Ensaios clínicos futuros, com amostras maiores e protocolos padronizados, são necessários para validar plenamente a eficácia dessas técnicas em atletas de alta intensidade e consolidar o seu uso como ferramenta complementar na reabilitação e performance desportiva.
Autores: Ana Patrícia Almeida¹, Patrícia Pereira¹, Fábio Teixeira¹, Nuno Guerreiro¹, Tatiana Pinho¹, Alda Nobre¹, Antonio Leon¹, Marisa Santos¹, Nuno Cerqueira¹, Bernardino Pacheco¹, Diogo Amorim¹, Kelli Oliveira¹, Cristina Reis¹
Afiliações: ¹ABS Health Level Atlântico Business School, Vila Nova de Gaia, Portugal.
A corrida de longa distância e outras modalidades de endurance são caracterizadas por esforços repetitivos e prolongados, que impõem elevada carga mecânica sobre músculos e articulações dos membros inferiores. Esta sobrecarga aumenta a suscetibilidade a lesões por uso excessivo, incluindo tendinopatias do tendão patelar, tendão de Aquiles e síndrome da banda iliotibial, que podem comprometer o desempenho desportivo (1).
A prevenção e recuperação adequadas são essenciais para manter o rendimento atlético e reduzir o risco de complicações musculoesqueléticas. Neste contexto, dentro das técnicas de Medicina Tradicional Chinesa para tratamento externo, focamo-nos na ventosaterapia e na massagem tui na, por serem técnicas não invasivas e de fácil aplicação em contexto de hospital de campanha em corridas de maratona. A ventosaterapia utiliza sucção negativa para aumentar o fluxo sanguíneo local, reduzir a tensão miofascial e potencialmente acelerar a recuperação muscular (1–5). A massagem tui na consiste em manipulações de tecidos moles, promovendo relaxamento, aumento da amplitude de movimento e regulação neuromuscular (6–8).
Foi realizada uma revisão narrativa baseada numa análise crítica da literatura científica publicada entre 2018 e 2025, nas bases de dados PubMed e Scopus. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e estudos experimentais que avaliavam ventosaterapia ou massagem tui na aplicadas em atletas recreativos ou desportistas de endurance.
Foram excluídos relatos de caso, estudos sem grupo de controlo e trabalhos que não apresentassem desfechos relacionados com dor muscular, flexibilidade, função articular ou regeneração tecidual.
Os estudos incluídos demonstram efeitos variados da ventosaterapia e da massagem Tui Na na recuperação e prevenção de lesões por sobrecarga em atletas. No que se refere à ventosaterapia, Bridgett et al. (1) observaram que a aplicação de ventosas melhorou a perceção de recuperação e reduziu a dor muscular, embora não tenha evidenciado efeitos consistentes sobre o desempenho físico. De forma semelhante, Mohamed et al. (2) destacaram que os resultados disponíveis são limitados, principalmente devido a amostras pequenas e à heterogeneidade metodológica, incluindo variações no tipo de ventosa, intensidade da sucção e duração da aplicação. Contrariamente, Coutinho et al. (3) não encontraram alterações significativas na dor ou fadiga dos quadríceps após corridas intensivas, sugerindo que a ventosaterapia isolada pode apresentar efeitos modestos em determinados parâmetros de recuperação.
Por outro lado, Dergaa et al. (4) verificaram que a ventosaterapia húmida — que combina a sucção com uma leve sangria superficial — melhorou o bem-estar subjetivo, reduziu a perceção de esforço e aumentou o desempenho em sprintsrepetidos em jovens atletas. Su et al. (5), num estudo que avaliou pontos-gatilho e dor muscular, observaram que a aplicação de ventosas teve efeito positivo na redução da dor e no alívio de pontos-gatilho miofasciais, sugerindo benefícios específicos na recuperação de tecidos musculares sobrecarregados.
No caso da massagem Tui Na, Gu et al. (6) demonstraram que a técnica contribuiu para a melhoria da função patelofemoral, promovendo alinhamento biomecânico adequado e correção de inclinação lateral da patela, o que pode favorecer a prevenção de lesões em corredores de longa distância. Liu HC et al. (7) mostraram que o Tui Na regula processos celulares como o stress endoplasmático e a autofagia em modelos experimentais, contribuindo para a regeneração muscular e a recuperação tecidual. De forma complementar, Liu Y et al. (8) evidenciaram que a massagem Tui Na apresentou resultados superiores a outras técnicas manuais na redução da dor e na melhoria da mobilidade articular, refletindo benefícios funcionais relevantes para atletas de endurance. Os resultados detalhados de cada intervenção terapêutica, incluindo população e desfechos encontram-se na Tabela 1.
De forma geral, os achados sugerem que tanto a ventosaterapia como a massagem Tui Na podem reduzir a dor muscular, melhorar a flexibilidade e favorecer a recuperação funcional em atletas.
A análise dos estudos sugere que a ventosaterapia atua principalmente através da vasodilatação, aumento da perfusão microvascular e remoção de metabolitos, reduzindo a dor pós-esforço (4,5). Além disso, a aplicação de ventosas móveis e secas mostrou eficácia na redução de dor em pontos-gatilho, promovendo o relaxamento miofascial e o aumento da amplitude de movimento (5). Estes efeitos parecem ser mediadores importantes na recuperação de tecidos submetidos a sobrecarga repetitiva, favorecendo a função muscular e prevenindo rigidez.
Por sua vez, a massagem Tui na apresenta efeitos mais robustos sobre regeneração tecidual, redução do stress oxidativo e restabelecimento de padrões miofasciais (6–8). A combinação destas técnicas pode otimizar a recuperação funcional, melhorar a flexibilidade e reduzir o risco de lesões por sobrecarga em atletas, especialmente quando integradas em microciclos de treino.
Apesar dos resultados promissores, a ausência de padronização nos protocolos (tipo de ventosa, duração, intensidade, pontos anatómicos) e a escassez de estudos longitudinais limitam a comparação direta e a extrapolação dos resultados (1–3).
A ventosaterapia e a massagem tui na apresentam efeitos promissores na recuperação muscular e prevenção de lesões por sobrecarga em atletas de endurance. A ventosaterapia, através da sucção, promove o aumento da perfusão local, o relaxamento miofascial, melhorando a flexibilidade e o bem-estar subjetivo (5). A massagem tui na exerce efeitos mais profundos sobre a regeneração tecidual, alinhamento biomecânico e mobilidade articular, complementando a ação da ventosaterapia (6–8).
Apesar destes achados positivos, a evidência científica ainda é limitada por pequenas amostras, heterogeneidade dos protocolos e curta duração dos estudos. Ensaios clínicos controlados, com amostras mais amplas, protocolos padronizados e desfechos objetivos, são necessários para consolidar estas terapêuticas no contexto de treino intensivo e competição de elite (1–4).
Referências
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